Entrevista
APRAM
Presidente da APRAM
Dr. Bruno Freitas
1- No seu entender qual é o papel do mar para a economia da região?
Desempenha um papel fundamental. É a nossa ligação com o mundo, é por ele que nos chegam a maioria dos produtos que consumimos e também os muitos navios de cruzeiro que anualmente visitam a região. Na vida de um ilhéu, o mar é uma constante presença que tentamos usufruir de várias formas e cada vez mais estamos a descobrir a sua componente económica.
2- Qual é a sua opinião acerca do papel do mar para a economia da região?
A condição geográfica ultraperiférica da Região Autónoma da Madeira comporta, naturalmente, diversos constrangimentos ao nível da sua economia. O afastamento das principais metrópoles europeias, em termos de fornecimento de bens e serviços, em paralelo com a quase inexistência de matérias-primas e relativa escassez de recursos próprias, causa naturais dificuldades ao aprovisionamento e uma considerável dependência externa. Além disso, a nossa reduzida dimensão territorial determina a pequena amplitude do mercado regional, acabando por coarctar o desenvolvimento empresarial ao nível do escoamento da respectiva produção.
Neste contexto, os transportes maritimos assumem sem dúvida, um papel fundamental e estruturante.
A Região tem muito a ganhar com a exploração do sector maritimo-portuário, numa óptica muito mais direccionada para o segmento turistico. Aliás, do ponto de vista turistico somos dos mais económicos e competitivos portos nacionais e apresentamos uma grande atractividade, em especial para os navios de cruzeiro.
3- A APRAM, dispõe de dados relativamente às receitas anuais geradas pelo turismo de cruzeiros? Qunatos cruzeiros nos visitam anualmente?
O último estudo que fizemos data de 2005. De acordo com esses dados, o turismo de cruzeiros tem um impacto directo e indirecto na economia regional, calculado em mais de 40 milhões de euros.
Em 2009 houve 277 escalas de navios de cruzeiro que transportaram 431.859 passageiros, o que significa um acréscimo de 7% no número de passageiros e de 3% no número de escalas, em relação ao ano anterior, de 2008.
4- No que diz respeito ao transporte de mercadorias de e para a Madeira, qual a relevância das actividades de transporte marítimo, para a economia da região?
Os Portos da Madeira são, essencialmente, Portos importadores de bens e serviços. As nossas exportações têm um peso diminuto no mercado. Sempre foi assim. Linhas como a da Madeira e do Porto Santo são caracterizadas por transportarem carga, quase exclusivamente, num só sentido. É praticamente inexistente em temros de saídas, como já referi. É a natureza do nosso mercado e a sua fraca capacidade de exportação que determinam o desequilibrio entre o volume das importações e das exportações, acabando por elevar o custo do frete maritimo, aumentando, desta forma, os custos globais da operação.
Numa região tão dependente do exterior, a relevância dos transportes maritimos está plenamente justificada.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
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